quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Uma nova cultura de trabalho - Discursos

Fragmentos do discurso pronunciado pelo Comandante Che Guevara no dia 21 de agosto de 1962 no ato organizado pela Central de Trabalhadores de Cuba (CTC) em homenagem aos operários de quatro fabricas sub-cumpridoras do plano de produção. 


[...] Este ato tem um duplo significado, que logo apontara o companheiro Lázaro (Secretario geral da CTC), de render agradecimentos a todos os trabalhadores da República Democrática Alemã, que materializam sua amizade através do mar, encurtando as distâncias e aproximando sua mão fraterna, ajudando-nos nesta etapa de construção do socialismo com uma das nossas armas mais queridas, como são as ferramentas do trabalho.
O outro significado é celebrar, todos reunidos, o que um grupo de fabricas do nosso ministério, nas difíceis condições criadas pelo bloqueio imperialista, tenha conseguido, no entanto, romper suas metas de produção.[...]

[...] E é muito importante, porque estamos em uma etapa dura da Revolução. A etapa da construção, nas condições do bloqueio imperialista  a 150 Km das costas Norte Americanas; rodeados pelo inimigo dia e noite; vigiados, expiados por aviões que violam nosso território;  que lançam espiões pela base (naval) de Guantánamo; humilhado nosso território nacional pela mancha de Guantánamo; ameaçados constantemente por uma invasão que pode significar a guerra mais cruel de toda a história da humanidade; sentindo-nos de certa maneira a vanguarda do proletário mundial, em uma ampla frente de luta onde há muitos postos de vanguarda, mas tendo esse orgulho de defender aqui o mais precioso do homem: seu direito a desenvolver-se livremente, seu direito a construir uma sociedade nova em novas condições, onde não haja exploradores nem explorados. [...]


O Ministro Che Guevara em visita a indústria.

O Ministro Che Guevara ( de mãos dadas com sua filha Hildita) em visita a indústria.
O Ministro Che Guevara ( de mãos dadas com sua filha Hildita) em visita a indústria.

[...] O socialismo é um sistema social que se baseia na distribuição equitativas das riquezas da sociedade, mas a condição que essa sociedade tenha riqueza que repartir, que haja máquinas para trabalhar e que essas máquinas tenham matérias primas para produzir o necessário para o consumo de nossa população. E na medida aumentamos essas produtos para distribui-los entre toda a população, vamos caminhando na construção do socialismo.
Novas fábricas terão que vir, porque o socialismo se baseia na técnica, o socialismo se enquadra em uma sociedade desenvolvida tecnicamente; não pode existir em condições feudais, em condições precárias, se desenvolva sobre a técnica. [...]

[...] Mas nos esquecemos que todavia não temos formado a nova sociedade, e todavia não foi apagado as recordações do passado, as recordações de luta; mas também os vícios de um passado mesquinho, de um passado que afogava os homens,  que as massas operárias que hoje entram na construção do socialismo não são puras, porque estão constituídas por seres humanos que tem também em si toda uma série de maus hábitos herdados de outra época, todos temos esses maus hábitos herdados de outra época, que pesou sobre nos durante muitos anos. [...]

O Ministro Che Guevara em visita a indústria.

O Ministro Che Guevara ( em companhia de Aleida March) em visita a indústria.

[...] ...recordamos sempre que nossa obrigação de produtores, produtores de uma sociedade que se libera, é a de dar a nosso povo o melhor que podemos, o melhor de nosso esforço, nosso esforço convertido já em produtos com o melhor acabamento e da melhor qualidade. [...]

O Ministro Che Guevara em visita a indústria.

O Ministro Che Guevara em visita a indústria.

O Ministro Che Guevara em visita a indústria.

O Ministro Che Guevara em visita a indústria.

[...] Devemos estar dispostos para os relativos sacrifícios que temos passado e incluir novos sacrifícios, para bloqueios mais fortes, para rebater quem sabe quais tentativas de invasão para destruir nossa sociedade. Devemos manter sempre no alto nossa bandeira de sermos os precursores da construção da sociedade socialista na América Latina. É uma honra e exemplo. Esse é o exemplo do qual se nutrem os países da América Latina. [...]



O Ministro Che Guevara em visita a indústria.

[...] Já sabem as massas oprimidas de todo o continente, que não somente é necessário uma mudança, que não se pode seguir vivendo na opressão centenária em que temos vividos, fazendo da injustiça o instrumento de enriquecimentos de poucos; essa consciência que as massas tinham em toda a América Latina: camponeses e operários maltratados, humilhados, assassinados, de toda a América Latina, esta convertendo em algo novo, na certeza da possibilidade de mudança. [...]

[...] O Trabalho deve ser uma necessidade moral, o trabalho deve ser algo no qual vamos cada manhã, cada tarde ou cada noite, com entusiasmo renovado, com interesse renovado. Temos que aprender a tirar do trabalho o que ele tem de interessante, o que ele tem de criador; conhecer os mínimos detalhes de uma maquina ou do processo em que  estamos trabalhando. [...]


O Ministro Che Guevara em visita a indústria.
O Ministro Che Guevara em visita a indústria.


O Ministro Che Guevara em visita a indústria.

O Ministro Che Guevara em visita a indústria.

[...] Esse é o grande saldo que se conquistará plenamente quando se chegar na sociedade comunista. [...]

[...] Nos deixam um desafio, o desafio em que todos nós alcançaremos, o desafio em que todos nos uniremos em uma só e interminável cadeia de braços, que avança também como uma onda interminável e incontrolável, para chegar logo a primeira etapa de nossa viagem, e poder dizer -- olhando a um passado cumprido -- Estamos no socialismo e seguimos adiante!

Venceremos! 




quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A Queda do Che

Por Eduardo Galeano, publicado no livro "Memoria del fuego III- El siglo del viento" - Madrid, España-1986.


1967
Quebrada do Yuro
A QUEDA DO CHE.


A rajada de metralhadora estraçalha sua perna. Sentado, continua lutando, até que seu fuzil voa das suas mãos.
Os soldados disputam a porrada o relógio, o cantil, o cinturão, o cachimbo. Vários oficiais o interrogam, um após o outro. O Che cala e jorra sangue. O contra-almirante Ugarteche, ousado lobo da terra, chefe da Marinha de um país sem mar, o insulta e ameaça. O Che cospe em sua cara.
De La Paz, chega a ordem de liquidar o prisioneiro. Uma rajada o atravessa. O Che morre à bala, morre à traição, pouco antes de fazer quarenta anos, a mesma idade na qual morreram, também à bala, também à traição, Zapata e Sandino.
No povoado de La Higuera, o general Barrientos exibe seu troféu aos jornalistas. O Che jaz sobre um tanque de lavar roupa. Depois das balas, é atingido pelos flashes. Esta última cara tem olhos que acusam e um sorriso melancólico.

OS SINOS DOBRAM POR ELE.

Morreu em 1967, na Bolívia  porque se enganou de hora e de lugar, de ritmo e de maneira? Ou nunca morreu, em nenhum lugar, porque não se enganou no que de verdade vale para todas as horas e lugares e ritmos e maneiras?
Acreditava que é preciso defender-se das armadilhas da cobiça, sem baixar jamais a guarda. Quando era presidente do Banco Nacional de Cuba, assinava Che nas notas, para debochar do dinheiro. Por amor às pessoas, desprezava as coisas. Doente está o mundo, acreditava ele, onde ter e ser significavam a mesma coisa. Nunca guardou nada para si, nem pediu nada nunca.
Viver é se dar, acreditava; e se deu.

sábado, 17 de agosto de 2013

Selos Cubanos homenageiam o Comandante Ernesto Che Guevara.

Correio Cubano sempre homenageia em seus selos o Comandante Ernesto Che Guevara.