sábado, 17 de setembro de 2016

Comandante em Chefe Fidel Castro lê a carta de despedida do Comandante Ernesto Che Guevara.



Foto: Pablo Pildain Prats


Em 1965 o Comanda Che Guevara sai de Cuba para seguir a luta Revolucionária e ajudar a outros povos. Começaram a circular no exterior, uma série de rumores sobre o desaparecimento de Che Guevara, historias e especulações sobre prováveis desavenças entre Che Guevara e Fidel Castro.
Por conta dos rumores sobre o desaparecimento de Che Guevara, no dia 3 de outubro de 1965, o Comandante Fidel Castro aproveita o ato de apresentação do Comitê Central do Partido Comunista, e diante do auditório no Teatro Karl Marx, em La Havana, que incluía a família de Ernesto Che Guevara e transmitido pela TV cubana para todo o país, faz um discurso explicando a ausência de Che e lê a carta de despedida deixada por ele.




Há uma ausência em nosso Comitê Central, de quem possui todos os méritos e todas as virtudes necessárias no grau mais alto para pertencer a ele, no entanto, não figura entre os membros de nosso Comitê Central. [...]

[...] E para explicar isso vamos ler uma carta de punho e letra, aqui transcrita a máquina, do Companheiro Ernesto Guevara, que por si mesma se explica. Eu pensava que devia contar a história de nossa amizade e de nosso companheirismo, como começou e em quais condições e como se desenvolveu. Mas não é necessário. Vou limitar me em ler a carta.

Diz assim: "Habana...". Não foi colocada a data, pois esta carta era para ser lida no momento em que a considerássemos mais conveniente, mas nos ajustando a rigorosa realidade, foi entregue em primeiro de abril deste ano, faz exatamente seis meses e dois dias, e diz assim:




A Fidel Castro

Ano da Agricultura  Habana
Fidel:
Me recordo  nesta hora de muitas coisas, de quando te conheci na casa de María Antonia, de quando me propôs vir, de toda a tensão dos preparativos. 

Um dia passaram perguntando a quem devia avisar em caso de morte e a possibilidade  real dos acontecimentos nos golpeou a todos. Depois soubemos que era certo, que em uma revolução se triunfa ou se morre (se é verdadeira). Muios companheiros ficaram ao longo do caminho até a vitória. 

Hoje tudo tem um tom menos dramático porque somos mais maduros, mas os acontecimentos se repetem. Sinto que esta cumprida a parte do meu dever que me atava a Revolução Cubana em território, e me despeço de ti, de todos companheiros, de seu povo que já é meu.

Faço uma formal renuncia de meus cargos da Direção do Partido, do meu posto de Ministro, do meu grau de Comandante, da minha condição de Cubano. Nada legal me ata a Cuba, só os laços de outra classe que não podem romper como os nomeamentos. Fazendo uma recordação da minha vida passada, creio ter trabalhado com suficiente honra e dedicação para consolidar o triunfo revolucionário.
Minha única falta grave foi não ter confiado mais em ti desde os primeiros momentos da Sierra Maestra e não ter compreendido com suficiente rapidez suas qualidades de condutor e de revolucionário. Tenho vivido dias magníficos e senti ao teu lado o orgulho de pertencer a nosso povo nos dias luminosos e trites da Crise do Caribe. Poucas vezes brilhou mais alto um estadista que nesses tempos, me orgulha também de haver te seguido sem vacilações, identificado com sua maneira de pensar, de ver e apreciar os perigos e os princípios. 

Outras terras do mundo requerem a ajuda dos meus modestos esforços. Eu já posso fazer o que te esta negado por sua responsabilidade a frente de Cuba e chegou a hora de nos separar. Saiba que o faço com uma mistura de alegria e dor, aqui deixo o mais puro de minhas esperanças de construtor e o mais querido entre meus seres queridos... e deixo um povo que me admitiu como um filho; isso lacera uma parte do meu espírito. Nos novos campos de batalha levarei a fé que me inculcou, o espírito revolucionário do meu povo, a sensação de cumprir com ele o mais sagrado dos deveres; lutar contra o imperialismo onde quer que esteja; isto reconforta e cura qualquer dilaceração. 

Digo uma vez mais, que libero a Cuba de qualquer responsabilidade, salvo a que emane de seu exemplo. Que se me chega a hora definitiva abaixo de outros céus, meu último pensamento será para este povo e especialmente para ti. Que te agradeço por seus ensinamentos e exemplo, que tratarei de ser fiel até as últimas consequências do meus atos. 

Que tenho estado identificado sempre com a política exterior de nossa Revolução e seguirei estando. Que em onde queira que eu pare, sentirei a responsabilidade de ser revolucionário cubano, e como tal atuarei. Que não deixo aos meus filhos e minha mulher nada material e não me entristece: me alegra que assim seja. Que não peço nada para eles, pois o Estado lhes dará o suficiente para viver e educar-se.

Tinha  muitas coisas para dizer a ti e a nosso povo, mas sinto que não são necessárias, as palavras não podem expressar o que eu quero, e não vale a pena estragar papeis.

Hasta la victoria siempre. Pátria ou Morte! 

Te abraço  com todo fervor revolucionário.

Che


Os que dizem que os revolucionários, os que consideram os revolucionários como homens frios, homens insensíveis ou homens sem compaixão, terão em esta carta o exemplo de todo o sentimento, de toda a sensibilidade, de toda a pureza que se pode conter na alma de um revolucionário. [...]              


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Foto da carta original escrita por Che - Pag. 2
Foto da carta original escrita por Che - Pag. 1
Foto da carta original escrita por Che - Pag. 3
Foto da carta original escrita por Che - Pag. 4
Foto da carta original escrita por Che - Pag. 5
Foto da carta original escrita por Che - Pag. 6
Capa do diário Granma publicado em 4 de outubro de 1965, destaca entre outras importantes noticias, a carta de despedida do Che. Foto: Jorge Oller
Fonte: http://www.granma.cu/quienes-somos




sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Alegría de Pío - Passagens da Guerra Revolucionária.

Texto escrito pelo Comandante Ernesto Che Guevara, publicado no periódico "Verde Olivo" em 26 de fevereiro de 1961 e posteriormente  no livro "Pasajes de la Guerra Revolucionaria"     ( Passagens da Guerra Revolucionária). La Habana, Cuba- 1963.

Fidel Castro e Che Guevara na Sierra Maestra.

Alegría de Pío é um lugar da província de Oriente, município de Niquero, localizado próximo de Cabo Cruz, onde fomos surpreendidos no dia 5 de dezembro de 1956 pelas tropas da ditadura.

Mapa 1 - Região do Oriente, municipio de Niquero.  Após a a luta Revolucionaria, é chamada de Granma.

Vinhamos debilitados depois de uma caminhada tão longa quanto penosa. Havíamos desembarcado no dia 2 de dezembro em um lugar conhecido por praia de Las Coloradas, perdendo quase todo o nosso equipamento  e caminhando durante intermináveis horas por pântanos de água do mar, com boatas novas. Isso havia provocado feridas nos pés de quase toda a tropa. Mas não o nosso único inimigo o calçado e as infecções fúngicas. Havíamos chegado a Cuba depois de sete dias de navegação através do Golfo do México e Mar do Caribe, sem alimentos, com o barco em más condições, quase todo mundo mareado por falta de costume do vai e vem do mar, depois de sair no dia 25 de novembro do porto de Tuxpan, um dia de norte, que a navegação estava proibida, Todo isso havia deixado suas pegadas na tropa integrada por inexperientes que nunca haviam entrado em combate.


Mapa 2- A Rota do iate Granma desde sua partida do porto de Tuxpan no México no dia 25 de novembro de 1956 a sua chegada na praia de Las Coloradas em Cuba, no dia 2 de dezembro de 1956.

O yate Granma.




















Já não restava em nossos equipamentos de guerra nada mais que o fuzil, a cartucheira e algumas balas molhadas. Nosso arsenal médico havia desaparecido, nossas mochilas, em sua grande maioria, haviam ficado nos pântanos. Caminhamos pela noite, no dia anterior, pelos caminhos das canas da Central Niquero, que naquela época pertencia a Julio Lobo. Devido a nossa inexperiência, saciávamos nossa fome e sede, comendo canas de açúcar na beira do caminho e deixávamos ali o bagaço; além disso, os guardas não necessitaram de pesquisas indiretas, pois nosso guia, que percebemos anos depois, foi o principal autor da traição, levando os guardas até nos. Deixamos o guia em liberdade quando chegamos no ponto de descanso, cometendo um erro que repetiríamos algumas vezes duranta a luta, até aprender que os elementos da população civil, cujo antecedente é desconhecido, devem ser vigiados nessas zonas de perigo. Não devíamos ter permitido o nosso falso guia ir naquelas circunstancias. 

Na madrugada do dia 5 eram poucos os que podiam dar um passo a mais; desmaiavam, caminhavam pequenas distancias para pedir descanso prolongado. Devido a isso, se ordenou uma parada próximo a um canavial, em um pequeno bosque ralo, relativamente próximo a uma montanha. A maioria de nos dormiu aquela manhã.


Comandante Che Guevara durante a campanha guerrilheira na Sierra Maestra.
                             
                                        
                                        O Comandante Fidel Castro e Faustino Pérez.


Sinais diferentes começaram a acontecer ao meio dia, quando os aviões Biber e outros aviões particulares começaram a rondar as proximidades. Alguns de nosso grupo, tranquilamente,  cortavam cana enquanto passavam os aviões, sem pensar que estavam bem visíveis por conta da baixa altitude e pouca velocidade que voavam os aparatos inimigos. Minha tarefa, naquela época, era curar as chagas nos pés dos feridos. Recordo da minha última cura daquele dia. O companheiro se chamava Humberto Lamontte e essa era também a sua ultima jornada. Está em minha memoria a figura cansada e angustiada levando na mão os sapatos que não podia calçar enquanto se dirigia do abrigo de campanha até o seu posto.

Montané e eu estávamos encostados em um tronco, falávamos de nossos respectivos filhos; comíamos a magra ração - meia linguiça e duas bolachas - quando soou um disparo; após somente alguns segundos e um furacão de balas - ou ao menos isso pareceu em nosso angustiado espirito durante aquela prova de fogo - pairava sobre o grupo de 82 homens. Meu fuzil não era um dos melhores, deliberadamente o havia pedido assim, porque minhas condições físicas eram deploráveis depois de um longo ataque de asma suportado durante toda a travessia marítima e eu não queria perder uma boa arma em minhas mãos. Não sei em que momento ou como aconteceram as coisas; as lembranças já são fracas. Me recordo que no meio do tiroteio, Almeida - esse então capitão - veio ao meu lado para perguntar as ordens que haviam, mas já não havia ninguém ali para dar-las. Compreendi depois, Fidel tratou em vão de agrupar o grupo em um canavial próximo, que somente se chegava cruzando o caminho entre as canas. A surpresa havia sido grande demais, as balas eram bem nutridas. Almeida voltou a fazer parte do seu grupo, nesse momento um companheiro deixou uma caixa de balas quase a meus pés, a indiquei e o homem me respondeu com uma cara que me recordo perfeitamente, pela angustia que refletia, algo assim como "não é hora para caixas de balas", imediatamente ele seguiu o caminho do canavial ( depois morreu assassinado por um dos torturadores de Batista). Talvez essa foi a primeira vez que estive exposto praticamente diante me mim, o dilema da minha dedicação a medicina ou o meu dever de soldado revolucionário. Tinha adiante uma mochila de medicamentos e uma caixa de balas, as duas eram muito pesadas para transporta-las juntas; peguei a caixa de balas, deixando a mochila, para cruzar o que me separava do canavial. Recordo perfeitamente de Faustino Pérez, de joelhos no caminho entre as canas, disparando sua metralhadora. Próximo de mim um companheiro chamado Arbentosa, caminhava em direção ao canavial. Uma rajada que não se distinguiu das demais nos atingiu. Senti um forte golpe no peito y um ferimento no pescoço; dei a mim mesmo por morto. Arbentosa, vomitando sangue pelo nariz, pela boca e um enorme ferimento de uma bala quarenta e cinco, gritou algo como "me mataram" e começou a disparar desesperadamente, pois não se via ninguém naquele momento. Lhe disse a Faustino, no chão, "me ferraram", Faustino me olhou durante seus movimentos e me disse que não era nada, mas em seus olhos se lia a gravidade da minha ferida.

Fiquei estendido, disparei um tiro na direção da montanha, seguindo o mesmo obscuro impulso do outro ferido. Imediatamente, me coloquei a pensar na melhor maneira de se morrer nesse momento que tudo parecia perdido. Me lembrei de um velho conto de Jack London, onde o protagonista, apoiado em um tronco de árvore, se dispõe a acabar sua vida com dignidade, ao saber que seria condenado a morte por congelamento, nas zonas geladas do Alanca. É a única imagem nítida. Alguém, de joelhos, gritava que havia que se reder e se escutou atras uma voz, que depois eu soube que pertencia a Camilo Cienfuegos, gritando: "Aqui ninguém se rende..."e um palavrão em seguida. Ponce se aproximou agitado, com a respiração ofegante, mostrando um ferimento de bala que aparentemente o atravessou o pulmão. Me disse que estava ferido e manifestei, com toda indiferença, que eu também. Seguiu arrastando-se até o canavial, assim como outros companheiros ilesos. por um momento fiquei sozinho, estendido ali esperando a morte. Almeida chegou até mim e me deu animo para seguir; a pesar das dores, o fiz e entramos no canavial. Ali vi o grande companheiro Raúl Soárez, com seu dedo polegar destroçado por uma bala e Faustino Pérez vendando-o junto a um tronco; depois tudo se confundia em meio aos aviões passando baixo, fazendo alguns disparos de metralhadora, semeando mais confusão em meio as cenas as vezes dantescas, e as vezes grotescas, como a de um corpulento combatente que queria se esconder atras de uma cana de açúcar, e outro que pedia silencio em meio ao barulho tremendo dos tiros, sem saber bem para que.

Se formou um grupo que dirigia Almeida e nele estava também Ramiro Valdés, naquela época era tenente e os companheiro Chao e Benítez; com Almeida no comando, cruzamos o último caminho  do canavial para alcançar um monte salvador. Nesse momento se escutavam os primeiros gritos: "fogo", no canavial se levantavam colunas de fumaça e fogo, ainda que não posso assegurar, porque pensava mais na amargura da derrota e na eminencia da minha morte, do que nos acontecimentos da luta. Caminhamos até que a noite nos impediu de avançar e resolvemos dormir todos juntos, amontoados, atacados pelos mosquitos,  torturados pela sede e a fome. Assim foi o nosso batismo de fogo, no dia 5 de dezembro de 1956, nas proximidade de Niquero. Assim começamos a forjar o que seria o Exército Rebelde.


Universo Sánchez e Che Guevara na Sierra Maestra - Cuba.
Comandante Che Guevara durante a campanha guerrilheira na Sierra Maestra - Cuba.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Uma nova cultura de trabalho - Discursos

Fragmentos do discurso pronunciado pelo Comandante Che Guevara no dia 21 de agosto de 1962 no ato organizado pela Central de Trabalhadores de Cuba (CTC) em homenagem aos operários de quatro fabricas sub-cumpridoras do plano de produção. 


[...] Este ato tem um duplo significado, que logo apontara o companheiro Lázaro (Secretario geral da CTC), de render agradecimentos a todos os trabalhadores da República Democrática Alemã, que materializam sua amizade através do mar, encurtando as distâncias e aproximando sua mão fraterna, ajudando-nos nesta etapa de construção do socialismo com uma das nossas armas mais queridas, como são as ferramentas do trabalho.
O outro significado é celebrar, todos reunidos, o que um grupo de fabricas do nosso ministério, nas difíceis condições criadas pelo bloqueio imperialista, tenha conseguido, no entanto, romper suas metas de produção.[...]

[...] E é muito importante, porque estamos em uma etapa dura da Revolução. A etapa da construção, nas condições do bloqueio imperialista  a 150 Km das costas Norte Americanas; rodeados pelo inimigo dia e noite; vigiados, expiados por aviões que violam nosso território;  que lançam espiões pela base (naval) de Guantánamo; humilhado nosso território nacional pela mancha de Guantánamo; ameaçados constantemente por uma invasão que pode significar a guerra mais cruel de toda a história da humanidade; sentindo-nos de certa maneira a vanguarda do proletário mundial, em uma ampla frente de luta onde há muitos postos de vanguarda, mas tendo esse orgulho de defender aqui o mais precioso do homem: seu direito a desenvolver-se livremente, seu direito a construir uma sociedade nova em novas condições, onde não haja exploradores nem explorados. [...]


O Ministro Che Guevara em visita a indústria.

O Ministro Che Guevara ( de mãos dadas com sua filha Hildita) em visita a indústria.
O Ministro Che Guevara ( de mãos dadas com sua filha Hildita) em visita a indústria.

[...] O socialismo é um sistema social que se baseia na distribuição equitativas das riquezas da sociedade, mas a condição que essa sociedade tenha riqueza que repartir, que haja máquinas para trabalhar e que essas máquinas tenham matérias primas para produzir o necessário para o consumo de nossa população. E na medida aumentamos essas produtos para distribui-los entre toda a população, vamos caminhando na construção do socialismo.
Novas fábricas terão que vir, porque o socialismo se baseia na técnica, o socialismo se enquadra em uma sociedade desenvolvida tecnicamente; não pode existir em condições feudais, em condições precárias, se desenvolva sobre a técnica. [...]

[...] Mas nos esquecemos que todavia não temos formado a nova sociedade, e todavia não foi apagado as recordações do passado, as recordações de luta; mas também os vícios de um passado mesquinho, de um passado que afogava os homens,  que as massas operárias que hoje entram na construção do socialismo não são puras, porque estão constituídas por seres humanos que tem também em si toda uma série de maus hábitos herdados de outra época, todos temos esses maus hábitos herdados de outra época, que pesou sobre nos durante muitos anos. [...]

O Ministro Che Guevara em visita a indústria.

O Ministro Che Guevara ( em companhia de Aleida March) em visita a indústria.

[...] ...recordamos sempre que nossa obrigação de produtores, produtores de uma sociedade que se libera, é a de dar a nosso povo o melhor que podemos, o melhor de nosso esforço, nosso esforço convertido já em produtos com o melhor acabamento e da melhor qualidade. [...]

O Ministro Che Guevara em visita a indústria.

O Ministro Che Guevara em visita a indústria.

O Ministro Che Guevara em visita a indústria.

O Ministro Che Guevara em visita a indústria.

[...] Devemos estar dispostos para os relativos sacrifícios que temos passado e incluir novos sacrifícios, para bloqueios mais fortes, para rebater quem sabe quais tentativas de invasão para destruir nossa sociedade. Devemos manter sempre no alto nossa bandeira de sermos os precursores da construção da sociedade socialista na América Latina. É uma honra e exemplo. Esse é o exemplo do qual se nutrem os países da América Latina. [...]



O Ministro Che Guevara em visita a indústria.

[...] Já sabem as massas oprimidas de todo o continente, que não somente é necessário uma mudança, que não se pode seguir vivendo na opressão centenária em que temos vividos, fazendo da injustiça o instrumento de enriquecimentos de poucos; essa consciência que as massas tinham em toda a América Latina: camponeses e operários maltratados, humilhados, assassinados, de toda a América Latina, esta convertendo em algo novo, na certeza da possibilidade de mudança. [...]

[...] O Trabalho deve ser uma necessidade moral, o trabalho deve ser algo no qual vamos cada manhã, cada tarde ou cada noite, com entusiasmo renovado, com interesse renovado. Temos que aprender a tirar do trabalho o que ele tem de interessante, o que ele tem de criador; conhecer os mínimos detalhes de uma maquina ou do processo em que  estamos trabalhando. [...]


O Ministro Che Guevara em visita a indústria.
O Ministro Che Guevara em visita a indústria.


O Ministro Che Guevara em visita a indústria.

O Ministro Che Guevara em visita a indústria.

[...] Esse é o grande saldo que se conquistará plenamente quando se chegar na sociedade comunista. [...]

[...] Nos deixam um desafio, o desafio em que todos nós alcançaremos, o desafio em que todos nos uniremos em uma só e interminável cadeia de braços, que avança também como uma onda interminável e incontrolável, para chegar logo a primeira etapa de nossa viagem, e poder dizer -- olhando a um passado cumprido -- Estamos no socialismo e seguimos adiante!

Venceremos! 




quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A Queda do Che

Por Eduardo Galeano, publicado no livro "Memoria del fuego III- El siglo del viento" - Madrid, España-1986.


1967
Quebrada do Yuro
A QUEDA DO CHE.


A rajada de metralhadora estraçalha sua perna. Sentado, continua lutando, até que seu fuzil voa das suas mãos.
Os soldados disputam a porrada o relógio, o cantil, o cinturão, o cachimbo. Vários oficiais o interrogam, um após o outro. O Che cala e jorra sangue. O contra-almirante Ugarteche, ousado lobo da terra, chefe da Marinha de um país sem mar, o insulta e ameaça. O Che cospe em sua cara.
De La Paz, chega a ordem de liquidar o prisioneiro. Uma rajada o atravessa. O Che morre à bala, morre à traição, pouco antes de fazer quarenta anos, a mesma idade na qual morreram, também à bala, também à traição, Zapata e Sandino.
No povoado de La Higuera, o general Barrientos exibe seu troféu aos jornalistas. O Che jaz sobre um tanque de lavar roupa. Depois das balas, é atingido pelos flashes. Esta última cara tem olhos que acusam e um sorriso melancólico.

OS SINOS DOBRAM POR ELE.

Morreu em 1967, na Bolívia  porque se enganou de hora e de lugar, de ritmo e de maneira? Ou nunca morreu, em nenhum lugar, porque não se enganou no que de verdade vale para todas as horas e lugares e ritmos e maneiras?
Acreditava que é preciso defender-se das armadilhas da cobiça, sem baixar jamais a guarda. Quando era presidente do Banco Nacional de Cuba, assinava Che nas notas, para debochar do dinheiro. Por amor às pessoas, desprezava as coisas. Doente está o mundo, acreditava ele, onde ter e ser significavam a mesma coisa. Nunca guardou nada para si, nem pediu nada nunca.
Viver é se dar, acreditava; e se deu.

sábado, 17 de agosto de 2013

Selos Cubanos homenageiam o Comandante Ernesto Che Guevara.

Correio Cubano sempre homenageia em seus selos o Comandante Ernesto Che Guevara.